quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lampejos da Verdade


Sempre tive pressa, urgência. Uma inquietude latente com o que meus olhos viam a minha volta, desde a infância na família, na escola, nas ruas. Quando comecei a entender que estava viva, que era humana, me horrorizei frente a inconsciência, frente a feiúra; e me encantei com o mistério da natureza, com sua grandeza, com a beleza e a indiferença da existência. 
Me lembro, isolada numa ilha no Maranhão, na linha do Equador ao norte do Brasil. Andava à luz da lua cheia refletida na areia branca das dunas infindáveis, andava apavorada pela grandeza da existência e me sentindo só, entendi que aquele silêncio era indiferente a minha dor humana. Naquele momento não pude compreender minha própria visão, mas algo em meu ser já estava acordando e me guiava na noite escura. Naquela época tinha 19 anos e foi a dor de uma paixão adolescente não correspondida que começou a despertar em mim, uma confiança maior na vida.
Um ano antes, também lançada numa natureza virgem, longe da cidade, dos livros da faculdade, do sonho de ser alguém; devolvida à inocência de caminhar na praia, de descobrir lugares mágicos, de experimentar sensações incríveis ao tomar um LSD, de me apaixonar por um homem rústico e inacessível, caiu na minha mão o livro: Êxtase, a linguagem esquecida, de um indiano até então conhecido com Bhagwan Shree Rajneesh. Hoje sei que nada foi coincidência, que o Mestre, a Existência, o amor já estava lá me guiando, pelos caminhos esquivos da verdade, acordando em mim uma matéria estranha e suculenta, chamada sede. Tudo que li naquele livro era um reconhecimento incompreensível de que eu sabia do que ele estava falando. Me senti de mãos dadas com deus e senti que aquele homem falava, da forma mais linda, tudo o que minha alma ansiava.
Quatro anos depois, sem saber ao certo aonde estava indo, fui levada para participar de uma sessão de meditação ativa. Um senhor de cabelos brancos, super entusiasmado com vida se alegrou muito ao me ver me dando boas vidas. Tudo era estranho e natural. Minha mente não interferiu em nada. Fizemos uma meditação chamada Mandala, a qual ficávamos correndo no mesmo lugar por 15 minutos, depois girando sobre o próprio eixo e depois deitada girando os olhos de uma lado pro outro. Não entendi nada, sai exausta e feliz. Ali minha jornada, mais consciente, começava.

         

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