Sempre fui inquieta com a condição humana. Mesmo na faculdade de Psicologia me incomodava os ensinamentos limitantes das possibilidades humanas. Ao final do curso comecei a me interessar por Nietzche e sua inteligência feroz, questionando os status quo. A filosofia poética e inquietante de seus aforismas apontava para algo além do estabelecido, mas ao mesmo tempo me angustiava não parecer mostrar outros caminhos para viver uma vida mais inteira e autêntica. Em algum lugar minha alma sabia que era possível viver algo além de um mero cotidiano massacrante, em busca de ser alguém.
Nesta mesma época, quando estava encerrando o curso de Psicologia ganhei de presente um outro livro do mesmo Mestre indiano que havia me tocado anos atrás. O título do livro era "Além da Psicologia". Hoje entendo o quão simbólico este título se anunciava. A partir dali todos os aprendizados da faculdade estavam fadados a cair por terra. Passei cinco anos aprendendo sobre como a mente humana funciona e de uma forma misteriosa, quando encerrei o curso, estava sem saber iniciando um novo aprendizado (ou desaprendizado) de como funcionar sem a interferência da mente.
Nesse período de transição, entre deixar de ser estudante para me tornar uma "profissional", um novo e desconhecido anseio me tomou. Comecei a me dedicar intensamente a este universo totalmente desconhecido das meditações ativas, do mesmo mestre indiano, agora conhecido como Osho. Foi nesse encontro com o um novo universo, que um lindo guia apareceu na minha vida. Um homeme 36 anos mais velho do que eu, sannyasin do Osho, tornou-se meu melhor amigo, irmão e amante. Com ele experimentei amar sem entender, confiar sem saber, e comecei a amar um Mestre que já havia partido deste mundo, mas que tinha deixado uma trilha palpável para os que tinham sede como eu.
Foram anos de experiências incríveis, com o corpo, as sensações, as emoções e a mente. Fui introduzida de forma inesperada a um vasto universo, uma outra dimensão ao mesmo tempo familiar e totalmente desconhecida. Me apaixonei pelas meditações, por mim mesma, pela vida – e mesmo sem entender o que estava acontecendo sentia algo mais profundo me guiando neste campo totalmente obscuro. Adentrei espaços nunca experimentados anteriormente de paz, êxtase, silêncio e vitalidade. Conheci minha sede e coragem de seguir sem o entendimento da mente.
Passei um longo período tentando integrar a psicóloga com a buscadora. O que me acordava e fazia feliz como pessoa não era a forma como eu trabalhava com as pessoas. Isso me angustiava, mas não havia nada que eu pudesse fazer para resolver esta equação. Só o tempo e o natural amadurecimento em minha busca foram me tornando uma pessoa Una.
Foi um momento intenso de muitas descobertas e desconstrução das imagens e conceitos que tinha de mim mesma. Seguia meu coração selvagem, me aventurando numa jornada interior que só aumentava minha sede. Seguia numa noite escura, tentando ser alguém em um mundo que nunca aceitei, ao mesmo tempo que descobria quem eu realmente era.

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