Em 2001, vivendo este dilema entre estar estabelecida profissionalmente numa instituição educacional morta e a sede intensa de uma busca interior, descobri que meu pai tinha um câncer avassalador. Desde o primeiro momento, a existência me colocou ao seu lado para acompanhá-lo diariamente desde a descoberta até o seu último respiro 5 meses mais tarde.
Foi um período intenso de dor e encontro. Meu pai, que há anos estava distante de minha vida diária, tornou-se um companheiro doce ao qual eu confortava com carinho e dedicação. Ele, a cada dia se enfraquecendo, foi também largando seus padrões e ego, e nesse espaço sentia que pela primeira vez nós nos encontrávamos em puro amor. Foi talvez a experiência mais dolorosa e real que já havia passado.
Sua doença, seu medo da morte e por fim sua morte física acordaram meu ser para o que era mais essencial. Após a sua morte, comecei a me dar conta que o único momento em que me sentia inteira e feliz era quando estava meditando, e que de alguma maneira eu teria que fazer uma escolha.
Hoje sei que a morte de meu pai foi o elemento definitivo para eu ter a coragem de largar toda a segurança de uma vida profissional que me dava um ótimo retorno financeiro para me lançar totalmente no desconhecido. Aos poucos fui me dando conta que nada no mundo realmente me alimentava; que os sonhos de ser alguém, de ser reconhecida nunca trariam paz para minha alma.
Ver meu pai morrer com medo, talvez por não ter vivido tudo o que sempre ansiou, ou por não ter realizado o seu ser, acordou a coragem em meu espírito de largar tudo e seguir para uma aventura inesperada. Um ano após sua morte eu embarcava sozinha para a Índia em busca de um Mestre vivo.
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