quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A noite escura da alma


De volta ao Brasil, vivendo em um apartamento em São Paulo com minha mãe, todas as minhas referências do passado já não faziam sentido, ao mesmo tempo que não sabia para onde me lançar. Por alguns meses me sentava em silêncio por horas em meu quarto, ouvindo discursos do Osho, meditando, como se gestasse algo desconhecido, aguardando sem destino, sem direção.
Nada do que me era conhecido me atraía, ao mesmo tempo em que eu não sabia o que buscar e nem para onde ir. Lembro de dias sombrios, de me sentir perdida, apesar de reconhecer um serenidade e firmeza em meu ser. A aventura a qual me havia lançado tinha tirado de mim tudo o que eu conhecia, mas ainda a existência não havia me dado um lugar pra descansar. Neste não saber dava passos pequenos, vivendo cada dia sem saber o que estava por acontecer.
Meu amigo da Grécia veio me visitar e juntos saímos pelo Brasil para que eu lhe mostrasse um pouco deste país natural e grandioso. Fomos do centro do país, Chapada dos Veadeiros para o interior da Bahia, na Chapada da Diamantina e litoral. De forma solta e descontraída, íamos em busca de destinos   e lugares bonitos.
Neste encontro, de forma inesperada, engravidei. Ele andarilho sem destino, honestamente me disse que não saberia se poderia assumir qualquer responsabilidade. Me vi lançada em um abismo, um caldo de emoções misturadas entre clareza, sonhos e confusão. Me sentia em uma encruzilhada entre seguir minha vida de buscadora e ser mãe.
Sem um Mestre vivo, sem dinheiro e casa, sem um companheiro, me dei conta que ter este filho seria uma forma inconsciente de manter tudo o que eu conhecia mas já não me sentia parte. Em uma tarde de domingo fui andar no parque próximo a casa da minha mãe e lá me vi observando as pessoas e suas crianças, senti algo estranho como se aquele universo não fizesse parte do meu ser. Me sentia triste, confusa e qualquer decisão parecia incerta.
Depois de ter um sonho onde me via em uma encruzilhada e compartilhar em um encontro íntimo e profundamente amoroso com meu amigo-guia, que sempre me apoiou em todas as decisões importantes de minha vida, que eu me decidi. Nesta conversa, o anseio por minha liberdade e por acordar veio a tona de forma muito clara e eu percebi que neste momento crucial, a existência me deu uma escolha: ir além da biologia. Meu ser falou mais forte e apesar das dificuldades resolvi que seguiria minha jornada, mesmo sem saber para onde estava indo.
Exatamente nove meses mais tarde encontrei um homem santo o qual me deu a luz. Me tornei Sana, aquela que transforma a vida em uma prece. 

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